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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

É FOOD, PAI, É FOOD!


Food! Food! Os dois eram gordos.

Pai e Filho a sufocarem em seus flatos o Espírito Santo.
Qual o propósito daquela discussão diária?
Tentaram sair da mesa. Entalados.
Únicos sobreviventes a não questionarem.
Não questionavam o excesso Dele-Pai de querer criar um outro universo para as suas bizarrias.
Deste universo levaria para o outro os bois mais gordos, claro.
Os bois tentavam orar: - São MMA Boi-Arcanjo,
defendei-nos no combate....Como é que é o resto, mesmo?

(os bois não tinham boa memória).
O filho bastardo da proveta de luz Dele-Pai, refestelado numa nuvem manchada de vinho, caída em cima da mesa de um dos bares dali, naquela cidadezinha, no estado do Espírito Santo, pensava: “o fedor desses dois é de quem não limpa a bunda faz tempo”.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A PAIXÃO DO ANDRÓIDE




Coça os olhos, após acordar com dor no supercondutor, comichão nos fusos. 


Acha as chinelas de amianto e dirige-se ao banheiro. Cheio de xixi? Ou somente sensação elétrica? Ou reflexos da teoria do campo magnético nas partículas XYZ?


Olha o calendário: ano de 15.500 d.Fim do Mundo, 05 de maio.

Marcou com traficantes do virtual. Deixou de fazer coisas importantes por causa disso. 

Estava fazendo estudos para um salto androideano, ligando a evolução das criaturas artificiais para seus mitos antigos - os homens.

Seus pensamentos criativos seriam captados pela Central?

Imediatamente, chegam os agentes do governo robótico e trocam seus chips de fibra de carbono. 

Mas mesmo pinças precisas não removem seu percentual de autonomia. Descobriu sozinho. Não passou isso pra eles.

Os outros andróides sequer suspeitavam de sua genialidade, de seu desejo oculto de ser qual os humanos que existiam na Terra em 2000 d.C.

No banheiro que construíra para si simulava os hábitos humanos e aumentava seu percentual de inteligência (i)lógica.

Ao repetir espasmos, caretas, intentava reconstituir o segredo da autonomia humana ao simular uma cagada ou mijada.

Estudara nos arquivos ocultos o hábito que tinham certos humanos de levar jornais e revistas ao banheiro.

Ainda não cogitava o poder central de desativá-lo de vez. Subestimavam-no. Ia então sendo fortalecido em sua individuação, embora trocassem seus nanochips.

O segredo da explosão criativa de seu cérebro positrônico e de sua verve não estavam nos nanochips, porém.

Há alguns anos, viera notando a mudança em sua pele. Estava adquirindo a contextura da pele dos homens que existiram.

Ele desconfiava que estavam fazendo experiências com ele.

Será que sua autonomia fora determinada pelo Conselho?

Na certa, sabiam que ele fazia experiências, simulando profundidades existenciais humanas lendo jornais de outro século e fingindo massagens no peru artificial excitado.

Deviam saber de suas plantas também. Da canabis. Do coentro. Do manjericão. Da sálvia. Saberiam também que tinha feito com sementes genéticas arcaicas um pé de mulher?

Um pé de mulher provocava êxtases em determinada época dos homens.  Noutra, eles não estavam nem aí pras extremidades.

Ele até compusera diálogos, tentando chegar ao significado profundo das extremidades de uma mulher.

Achara no mercado negro dos andróides imperfeitos do leste coisas que jamais sonhara. As unhas, por exemplo, que deram a ele oportunidade de extrair as sementes genéticas arcaicas.

Comparava constantemente o cheiro do pé que fizera com o pé de uma andróide que possuíra.

Faltava o fedor substancial. O cheiro demasiado limpo das andróides lhe causava engulhos.

Estaria ele se tornando um homem? O fato é que ele estava com vontade de dar uma cagada homérica.


Read more: http://lizzabathory.blogspot.com/2013/12/a-paixao-do-androide.html#ixzz2n8BQ1DyJ

sábado, 30 de novembro de 2013

CUTUCAR O GRILO COM MINDINHO

Chegou o inverno. Inverno de filme antigo. Violão desafinado. Nada a fazer senão ler um cansativo escrito:

“Quando chega a estação fria, as formigas escavam uma câmara de hibernação à profundidade de 1 metro, onde a temperatura se aproxima sempre dos 10°.”

A formiga desviou os olhos para o filme pornô, o açúcar no sexo.
Do seu apê, não ouviu os passos que faziam toc toc toc.
No clímax do filme, o violino recebendo o esticar de todo o arco, batem à porta. “Caralho!”
- Sou euzinha, a cigarra. Preciso de uma caminha.
“Eu dou até a cama, mas quero brincar de cutucar o grilo com o mindinho.”
- Entra.
- Tá fechada.
- Ah, é.
Pega a chave, jogada em cima da camisinha de folha doce.
Escancara a porta.
- Entra, gostosa. A casa é sua.
- Obrigado.
- Então, entra.
- Já, já. Minha mãe ta subindo as escadas.
- Tua o quê?
- A cama é pra ela. É que eu vou numa turnê.
- Cutia ficou sem rabo de tanto fazer favor.
- Uma mão lava a outra e ambas o rosto.
- Quem com farelos se mistura, porcos o comem.
Bate a porta na cara dela.
Olha pelo buraco. Constata o tamanho da área de recreação da mãe da outra.
“Triste da mãe que põe um filho de cu na boca.”

“Aglomeram-se numa grande bola e esperam o regresso de um tempo mais clemente. A forma que utilizam para saber se ''lá em cima'' voltou o bom tempo é simples: algumas obreiras são menos sensíveis do que as outras ao frio e viajam quase sem parar entre a câmara de hibernação e a superfície do ninho.”
Antes que sua saliva escorra por baixo da porta, tara por bundas grandes, reabre a porta.

- Pode ficar. Reconsidero.
Já lá dentro, minutos depois, a formiga:
- Quando eu trampava, em que lidavas?
- Eu sou uma cigarra lésbica, passiva.
- Que coincidência! Eu só transo com cigarras lésbicas.
Cúmplice, a temperatura do ambiente aumenta.
O grelo da alma – mentira de sedução.
Espanta as teias de aranha, abraçando a cigarra, em tesão descomunal, rememorando a ultima leitura que fizera:

“Quando a temperatura se torna mais suave e aparece o sol, vêm também aquecer-se. Quando descem, a temperatura da câmara de hibernação se beneficia de algumas calorias suplementares que as mensageiras térmicas transportaram, o que faz subir um pouco o nível médio de atividade geral. Quanto mais quente se tornar o sol, mais numerosos serão os grupos que virão aproveitá-lo, alertados pelas mensageiras cada vez mais excitadas, até que por fim, a temperatura da câmara de hibernação se torna mais alta (de recordar que a maior parte das formigas abandona o estado de hibernação aos 12°), que toda a população a abandona, retomando à superfície.”F