segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

BURACO NEGRO

Fora de si, de sua casa, de sua rua, de seu bairro, de sua cidade, de seu estado, de seu país, de seu continente, de seu planeta, de sua galáxia, do seu universo, não passava de um buraco negro (ex-empresário) resultante de uma tentativa de suicídio de um deus desconhecido que masturbou gerando a Via Láctea sendo tal fato tornado público em todos os universos fora de si.

Disse o desconhecido: - Agora, fica de quatro. – O outro obedece: - Mas tem que me bater com vontade!


- Certo, vou chicotear com força! Tenho nojo de ex-empresários como você! Mas vai lavar essa bunda primeiro, que o cheiro tá osso!

CARTINHA DA INTERNET

Nada e nem ninguém vai tirar você de mim, porque você é minha, em você eu confio de olhos fechados, principalmente agora. Nossa, a gente brincou tanto, cantou, fofocou, ajudou uma a outra, e nossa amizade prevalecerá sempre! (YN)
Obrigada por estar comigo, por chorar comigo, por ficar perto de mim, mesmo desse jeito, por fazer das minhas manhãs as melhores. AAAAAAAAAAH você é tudo & sua unha e seu tamanho BAIXINHA também é TUDO, viu? KKKKKKKKKK, te amo mesmo s2
Desculpa por vacilar uma vez contigo, na biblioteca, eu ia te ensinar tudo e pans, mas, enfim. Eu te contei o motivo, porque confio em você. E tive depois de garantir o teu silêncio, mesmo você sendo minha irmã. Era um teste. Brigada pela lealdade de ter estendido a língua.
EU REZO E PEÇO A DEUS PRA CUIDAR DA SUA VIDA, ABENÇOAR, VOU CORRER POR VOCÊ ATÉ O FIM, ASSIM EU SEI QUE SOU ALGUEM QUE TE FAZ TÃO BEM (8)
Nunca vou te deixar, vou levar você por toda minha vida, assistirei com lágrimas nos olhos e um sorriso no rosto a todos os seus momentos, estarei com você até o fim de nossas vidas, e além & mesmo a gente se conhecendo melhor esse ano, eu sinto que vai durar, e que ficaremos sempre juntas até o fim :]

  
AIIIIIIIIIII minha sister *-*, só minha sim :@ Enfim .. lembra na 3ª série, você foi da minha classe, acho que a maioria das meninas gostavam do M A R L O W, e ele gostava era de ti, teve um dia que a professora te chamou lá na frente, pra ver não-sei-o-quê, e você ficou vermelhinha vermelhinha, tão fofinha :$ *-* rs. Nem nos falávamos muito, mas agora aaah  falamos sim, gosto de ti pra caramba minha lindinha, só de pensar que um dia uma de nós vai morrer antes da outra, que eu não vou poder chamar mais ninguém de anã, sister, preta, que eu não vou ver ninguém mais rindo das minhas maldades, eu choro :MAAAS SEGUIREMOS ADIANTE NÉ? (YN) sempre estarei aqui contigo, independente do que for, ILY s2
Desculpe se te cortei a língua, aquilo que te contei não podia ser espalhado
Que cê saia logo do hospital é o que desejo
                        BJ ;*

LOS ÁRBOLES

Tudo começou assim:


- Olha pra baixo o suor no tronco...
- O tronco está duro.
- O que você tem a fazer? Chupar?
- Prefiro passar o dedo em seu prósgalho.
- Ah, você quer apertar aqui?
- Bem, não....sim, sim, é isso.
- Vai com cuidado que a terra é de todos.

- Eu não deixo. Prometo. Só quero suas folhas.
- Diacho. Deixa eu baixar.
- É sua primeira vez?
- Claro. Não vê que é rosado?
- Finca as quatro raízes no chão.

- Só tenho três.
- Tá. Posso girar os dedos dentro?
- Não.
- O que é que tem?
- Vai azedar os nós.

R. defendia a tese de que “quem vive em árvores não sente impulso para o chão incontrolável, não necessitando de uma moral para controlar tal impulso....O orgasmo não é psíquico, é um fenômeno que só se produz pela redução de toda atividade vegetativa primitiva.”

- Eu ponho celulose...
- Vai estragar a seiva.
- O que faço então? Esses nós me deixam louca!
- Acho que somos tão desiguais...

No nível político, a proposta de R. contrariava a moral ambiental e defendia a necessidade de uma organização social mais desenvolvida ao nível da floresta. 


- Não somos desiguais. Já lhe mostrei o meu apetite?

Ele enfia as duas unhas do galho e contorce-se de gozo.

Fase de contrações musculares involuntárias e aumento automático dos nós. 

Deliciam-se com a chuva que vem. 

PIRILO PRÍAPO PEIXOTO

Pirilo Príapo Peixoto tem 57 anos, é caminhoneiro faz muito, nem sabe o tempo ao certo.

Ultimamente, andava preocupado com seu coração. Estava sentindo dores agudas do lado esquerdo do peito. E se não fosse o coração?

Antes de ser caminhoneiro, estudara dois anos a faculdade de história.

Naquela faculdade ficava de frente àquele famoso Sex Shop Trevisan

Hoje, dera pra rememorar cursos parados, coitos interrompidos e flechas desfechadas.

Ovídio estava jogado em cima da licença do veículo.

Príapo começou a lê-lo sem planejamento, de forma aleatória, após entornar uma garrafa de vinho e copiar um verso erótico.

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

A cabritinha saiu do cercado, depois de dar uma mijadinha no canto noroeste, a três ou quatro metros da casa principal. Todo estava calmo naquele dia.

Não podemos evitar que desapareçam as graças da juventude. Colhei, pois, a flor, porque, caso contrário, sem proveito murchará e cairá.
Segui o exemplo das deusas, e não desdenheis dos gozos que vos podem proporcionar os desejos dos vossos amantes.
Chegará um dia em que tu, que agora foges ao amor, te verás velha e abandonada, condenada a passar a noite sozinha, no teu leito gelado. Por tua causa não se levantará nenhuma disputa noturna querendo forçar-te a porta, nem, pela manhã, terás rosas espalhadas junto da soleira.
Os anos correm e passam como a água; a onda que passou ante os nossos olhos, como a hora que passa, jamais voltará. Por isso, é preciso retirar proveito da idade; por muito felizes que sejamos, a idade escapa-nos rapidamente, e nada é como dantes.

Margeando o rio, a cabritinha parou ante um monte redondo de conchas, onde pretendia se encontrar com as cabritinhas do seu Pascoal.

Diverti-vos impunemente com as mulheres, se sois sábio.
É mais fácil que os pássaros emudeçam na Primavera, que as cigarras não cantem no Verão, ou o cão de Nénalo fuja diante das lebres, do que uma mulher resistir à carinhosa solicitude de um homem.
Promete, promete com ousadia, pois as promessas vencem as mulheres! Júpiter, que lá do alto observa e testemunha os perjúrios dos amantes, ri-se deles e ordena aos ventos de Éolo que os levem e anulem.

Deves mostrar-te apaixonado e, com as tuas palavras, dar a sensação de que estás ferido de amor. Para persuadi-la, todos os meios são bons. Não é difícil fazê-la acreditar. Toda a mulher se julga digna de ser amada e nunca faltou um chinelo velho para um pé doente.
Quem rouba um beijo e não rouba o resto, merece perder os favores prometidos.

O tempo foi passando e nenhuma das amigas apareceu. Surgiram sim uns sete ou oito homens, com os quais a cabritinha fez fácil amizade.

O amor proibido agrada igualmente ao homem e à mulher. Apenas acontece que o homem não sabe dissimular, e a mulher esconde muito melhor os seus desejos.
Até as mais castas sentem prazer quando são elogiadas pelos seus encantos. Também as virgens zelam e cuidam da sua beleza.
Faz, pois, com que a tua amiga trema; ateia o incêndio no seu morno coração; que ela empalideça ao ter conhecimento da tua infidelidade.
Quando estiver muito irritada e te parecer que se tornou numa declarada inimiga, pede-lhe para fazerem as pazes na cama. Tornar-se-á mansa.
É na cama que se fazem as pazes, sem se recorrer às armas. É lá que nasce o perdão. As pombas que brigam constantemente,

Com as vergonhas de fora, e bastante cansada com os abraços proporcionados pelo fácil convívio, a cabritinha senta-se ao pé da Ponte do Arco Cinzento. Pega um batom e um espelhinho na sua bolsa e passa com toda a sensualidade de cinema mudo na sua boquinha de lábios salientes. Sentada, bem à vontade, não percebe o paraíso lascivo que deixa à mostra, tendo a natureza por testemunha.

Está cansado. Não lê o resto de Ovídio. A bexiga lhe aperta. Sai da cabine.

Príapo verifica as rodas, a gasolina, o óleo, enfim, cuida em ver se o caminhão aguentará o repuxo para a próxima viagem.

Olha ao redor, sem constrangimento. Pensa nas vergonhas roxas.

Está apertado. Abre a braguilha. O zíper quase engancha. Muitos carros passando. Não consegue fazer.

Eu o observo. Chamam-me de bisbilhoteiro, alguns. Outros, apenas, de narrador. Quanto a mim, não sei do que me chamar. Não tenho memória larga. O momento, o que mais me marca.

Príapo volta pra cabina.

Em minha cabeça, todas as vozes antecipam o que ele fará.

Não posso impedir muita coisa. Tenho a minha hora própria para atuar.

Vejo tudo em minha mente. Daqui a pouco, estará aqui.

Após passar por duas pontes, na beirada de uma delas, vê alguém pedindo carona. Pára.

Uma cabritinha sobe os degraus e se ajeita.

Ela lhe agradece. Uma cabritinha bem criada. Quatro patas sólidas, pêlo luzido e com um cheiro incomum em animaizinhos como ela.

Depois de umas duas horas, samba rasgado no rádio, resolve parar pra ir tirar água dos joelhos.

Ela desce junto, mas vai à frente.

Ele observa o rebolado animal, o furinho acendendo e apagando.

Entram no mesmo banheiro. Ele, mais que depressa, coloca o membro pra fora. Alívio, quando todo o líquido se escoa.

Quando vai guardar, um berro sutil povoa o ambiente.

A cabra colocara a língua pra fora. Uma língua longa e viscosa. Tão longa que num minuto envolve-lhe.

Enquanto é engolido, o rabo da cabrita enrola-se em balanços de volúpia.

Há uma inundação incontida em seus sentidos.

É quando a cabritinha turva sensações e morre.

Agora, eu, o autor, sou obrigado a cumprir meu dever.

Com uma gilete, rasgo a história, com todo cuidado, procurando retirar os personagens do papel.

Sinto sua dor e dela me alimento, como todos os dias em que reinvento o rasgar.

A PAIXÃO DO ANDRÓIDE




Coça os olhos, após acordar com dor no supercondutor, comichão nos fusos. 


Acha as chinelas de amianto e dirige-se ao banheiro. Cheio de xixi? Ou somente sensação elétrica? Ou reflexos da teoria do campo magnético nas partículas XYZ?


Olha o calendário: ano de 15.500 d.Fim do Mundo, 05 de maio.

Marcou com traficantes do virtual. Deixou de fazer coisas importantes por causa disso. 

Estava fazendo estudos para um salto androideano, ligando a evolução das criaturas artificiais para seus mitos antigos - os homens.

Seus pensamentos criativos seriam captados pela Central?

Imediatamente, chegam os agentes do governo robótico e trocam seus chips de fibra de carbono. 

Mas mesmo pinças precisas não removem seu percentual de autonomia. Descobriu sozinho. Não passou isso pra eles.

Os outros andróides sequer suspeitavam de sua genialidade, de seu desejo oculto de ser qual os humanos que existiam na Terra em 2000 d.C.

No banheiro que construíra para si simulava os hábitos humanos e aumentava seu percentual de inteligência (i)lógica.

Ao repetir espasmos, caretas, intentava reconstituir o segredo da autonomia humana ao simular uma cagada ou mijada.

Estudara nos arquivos ocultos o hábito que tinham certos humanos de levar jornais e revistas ao banheiro.

Ainda não cogitava o poder central de desativá-lo de vez. Subestimavam-no. Ia então sendo fortalecido em sua individuação, embora trocassem seus nanochips.

O segredo da explosão criativa de seu cérebro positrônico e de sua verve não estavam nos nanochips, porém.

Há alguns anos, viera notando a mudança em sua pele. Estava adquirindo a contextura da pele dos homens que existiram.

Ele desconfiava que estavam fazendo experiências com ele.

Será que sua autonomia fora determinada pelo Conselho?

Na certa, sabiam que ele fazia experiências, simulando profundidades existenciais humanas lendo jornais de outro século e fingindo massagens no peru artificial excitado.

Deviam saber de suas plantas também. Da canabis. Do coentro. Do manjericão. Da sálvia. Saberiam também que tinha feito com sementes genéticas arcaicas um pé de mulher?

Um pé de mulher provocava êxtases em determinada época dos homens.  Noutra, eles não estavam nem aí pras extremidades.

Ele até compusera diálogos, tentando chegar ao significado profundo das extremidades de uma mulher.

Achara no mercado negro dos andróides imperfeitos do leste coisas que jamais sonhara. As unhas, por exemplo, que deram a ele oportunidade de extrair as sementes genéticas arcaicas.

Comparava constantemente o cheiro do pé que fizera com o pé de uma andróide que possuíra.

Faltava o fedor substancial. O cheiro demasiado limpo das andróides lhe causava engulhos.

Estaria ele se tornando um homem? O fato é que ele estava com vontade de dar uma cagada homérica.


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CASAL ACOCORADO

Os dois nus, marido e mulher. 

Acocoram-se, cavando no canto mais sombrio do cemitério. Uma sombra lhes interpela.

- Gente, que é isso?
- Somos duas criaturas desnudadas de tudo.
- E seus filhos?
Nenhuma resposta, apenas uma contorção de dor e um cavar mais forçado.
- E seus parentes?
Com raiva, pelo que lhes fizera lembrar, jogaram terra na sombra, que, por ser sombra, não foi atingida, claro.
O homem manifestou-se.
- Todos que você citou foram tirados de nós, arrebatados pelo desespero da última chuva.
- Não há esperança?
- A última enterramos ontem perto daqui.
- Qual o nome de vocês?
- Não temos mais.
- Nem endereço, conta de luz, de água?
- Você está falando uma língua que não conhecemos faz muito.
- Nunca tiveram renda, holerite? De onde vieram? Onde pretendem chegar?
- Quê?
- Então, sou obrigado a despejá-los daqui. Só sombras e criaturas que têm referência, valor, ponto de partida ou chegada, aqui podem permanecer.
Os dois se retiram, nus como vieram, mãos escalavradas de tanto cavarem próprios túmulos.
No monte próximo um anjo, o manipulador da sombra, fuma um cigarro, cujas cinzas caem em seu pé direito.
- Caralho!
Joga o cigarro fora e, estendendo as asas esfumaçadas, segue o casal que já vai longe.

RATO DE PEDRA

Só, saíra da biblioteca central, rato devorador de livros com traças. Descera os setenta vezes sete degraus, tropeçando ao final na sombra da eterna ignorância.

Esbarrara casualmente num dos leões de pedra que guarnecia a frente da biblioteca.
Cumprimentaram-se, educadamente, mas, por dentro do Só gerava-se uma antipatia.
Os esbarrões nos leões que guarneciam jardins, coretos, museus, etc. etc. continuaram e, a cada contato, uma parte de si ia sendo metamorfoseada em leão de pedra.
Fora ao psicanalista para ter uma visão profissional que fosse um ponteiro/martelo que diluísse os elementos estranhos de seu corpo.
Não deu resultado. O tempo passou e, agora, ele não esbarrava, eram os leões que o derrubavam.

Voltou para a Biblioteca e recomeçou leituras há muito terminadas que o nutriram de sombra e luz, misturados em seu estômago de pedra, que regurgitou-as, gerando poesias ao modo de João Cabral de Melo Neto.